Acordo Mercosul-UE: Brasil terá acesso a 36% do comércio global
Levantamento indica também que 54,3% dos produtos negociados, que correspondem a mais de cinco mil itens, terão imposto zerado na União Europeia assim que o acordo Mercosul-UE entrar em vigor.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um estudo que destaca um aumento significativo no acesso do Brasil ao mercado global de importações de bens. Com a implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), o Brasil poderá expandir seu acesso de 8% para 36%. Este aumento é impulsionado pela participação da UE, que, em 2024, representou 28% do comércio mundial.
O levantamento foi publicado no último sábado (17), logo após a assinatura do tratado em Assunção, Paraguai, por representantes do bloco europeu e dos países do Mercosul. Para a CNI, este acordo é uma mudança estratégica para a indústria brasileira, com potenciais impactos duradouros.
Além disso, a análise indica que 54,3% dos produtos negociados — mais de cinco mil itens — terão impostos zerados na União Europeia assim que o acordo entrar em vigor. O Brasil, por sua vez, terá um prazo mais extenso para ajustar suas tarifas, variando de 10 a 15 anos para 44,1% dos produtos, o que equivale a cerca de 4,4 mil itens, garantindo uma transição gradual.
"Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações brasileiras para a UE poderão ser isentas de tarifas de importação desde o início do acordo. Em contrapartida, o Brasil se comprometeu a eliminar tarifas de apenas 15,1% das importações da UE imediatamente, destacando a vantagem para nosso país", observa a CNI.
Após a assinatura, a ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos congressos dos países do Mercosul é necessária. A implementação do acordo comercial está prevista para ocorrer gradualmente nos próximos anos.
A análise da CNI revela que o Brasil terá, em média, oito anos a mais para se adaptar às reduções tarifárias em comparação ao bloco europeu, levando em consideração o comércio bilateral e o cronograma do Acordo Mercosul-UE.
"A assinatura deste acordo representa um marco para fortalecer a indústria brasileira, diversificar as exportações e promover a integração do Brasil no comércio internacional", afirma a CNI.
"Após mais de 25 anos de negociações, este é o tratado mais moderno e abrangente já firmado pelo Mercosul. Ele não se limita à redução de tarifas, mas também introduz diretrizes que aumentam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e criam um ambiente favorável para investimentos, inovação e geração de empregos", analisa a entidade.
Em 2024, a CNI destacou que, para cada R$ 1 bilhão em exportações do Brasil para a UE, foram gerados 21,8 mil empregos, além de movimentar R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. No setor agroindustrial, o acordo também promete resultados positivos, com cotas negociadas que beneficiam setores essenciais.
No caso da carne bovina, as cotas são mais do que o dobro das concedidas pela UE a parceiros como o Canadá e mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México. As cotas de arroz também superam o volume atualmente exportado.