Anvisa Atualiza Diretrizes sobre Canábis Medicinal no Brasil
Novas regras ampliam o acesso a tratamentos com canabidiol e permitem cultivo por empresas, beneficiando milhares de brasileiros.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou recentemente novas diretrizes que regulamentam o uso da canábis medicinal no Brasil. Essas mudanças representam um avanço significativo na legislação, que tem sido tema de intensos debates nos últimos anos. As novas regras visam atender a uma demanda crescente por tratamentos alternativos e seguros, beneficiando cerca de 900 mil brasileiros que dependem da canábis medicinal para tratar diversas condições de saúde.
Desde 2015, a Anvisa já permitia a importação de produtos à base de canábis para uso individual. Com as novas normas, as opções disponíveis para os pacientes se ampliam consideravelmente. Agora, além de permitir o cultivo da planta por empresas, a regulamentação abre espaço para a fabricação e venda de produtos derivados da canábis em farmácias de manipulação. Isso inclui novas formas de administração, como via bucal, sublingual e dermatológica, além das tradicionais gotinhas de canabidiol.
Um exemplo que ilustra bem essa mudança é o relato de Mariana, uma paciente que começou a usar canabidiol. Ela menciona que teve melhorias significativas em sua saúde desde que iniciou o tratamento: "Ele tem me ajudado bastante, principalmente na minha rotina. Eu tenho conseguido me alimentar melhor e dormir, o que fez uma diferença muito grande no meu dia", compartilhou. O depoimento dela destaca não apenas a eficácia do canabidiol, mas também a importância de ter acesso a tratamentos adequados e regulamentados.
As novas diretrizes estabelecem que a concentração de tetrahidrocanabinol (THC), o composto psicoativo da canábis, deve ser mantida em 0,3%. Essa medida visa garantir a segurança dos produtos oferecidos aos pacientes. Além disso, a regulamentação busca desburocratizar o acesso ao tratamento, que até então era complicado devido à falta de normas claras e à sobrecarga do sistema judiciário. Muitos pacientes e suas famílias enfrentavam dificuldades financeiras e legais para conseguir os produtos necessários, tornando o tratamento ainda mais desafiador.
A recepção das novas regras foi positiva entre associações sem fins lucrativos que já produziam produtos à base de canábis localmente. Com essa regulamentação, essas entidades poderão operar dentro de um marco legal definido pela Anvisa, o que pode aumentar a oferta de produtos e, consequentemente, reduzir os custos para os consumidores. A expectativa é que essa mudança amplie o acesso ao tratamento e promova um mercado mais seguro e controlado.
Por fim, é importante ressaltar que essa evolução na regulamentação da canábis medicinal no Brasil acontece em um contexto global onde muitos países já possuem legislações claras sobre o uso da planta para fins terapêuticos. Ao se alinhar a essas práticas internacionais, a Anvisa demonstra um compromisso com a saúde pública e a necessidade de atender a uma demanda crescente por alternativas terapêuticas. A evolução das evidências científicas sobre o uso medicinal da canábis reforça a importância de um avanço que seja tanto célere quanto tecnicamente robusto na regulamentação.
