Boulos: Fim da escala 6x1 pode aumentar produtividade no Brasil

Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, estudo da FGV, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho, apontou aumento de receita de 72% delas.

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Boulos: Fim da escala 6x1 pode aumentar produtividade no Brasil
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez uma declaração significativa nesta quarta-feira, 25 de janeiro de 2026. Ele acredita que a alteração na escala de trabalho atual, que consiste em seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga (6x1), pode resultar em um aumento substancial na produtividade da economia brasileira. Durante uma entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", do Canal Gov, Boulos defendeu a ideia de reduzir a jornada de trabalho e citou exemplos de empresas que já estão adotando novos formatos de trabalho.

Ele mencionou um estudo da Fundação Getulio Vargas, realizado em 2024, que analisou 19 empresas que diminuíram a carga horária. O resultado foi surpreendente: 72% delas relataram um aumento na receita, enquanto 44% notaram uma melhora no cumprimento dos prazos. “Essas empresas estão mudando mesmo sem a legislação”, enfatizou.

Boulos explicou que o aumento da produtividade está relacionado ao desgaste dos trabalhadores. Com a atual escala de seis dias de trabalho, muitas vezes o único dia de folga é utilizado para tarefas domésticas, especialmente entre as mulheres. Isso significa que, ao chegarem ao trabalho, muitos já estão cansados. “Quando um trabalhador ou uma trabalhadora tem a chance de descansar mais, o resultado é uma performance melhor. E tudo isso é respaldado por dados”, destacou.

Ele também trouxe à tona o exemplo da Microsoft no Japão, que implementou uma nova escala de 4 dias de trabalho por 3 de folga. O resultado? Um aumento de 40% na produtividade individual dos funcionários. Além disso, Boulos mencionou outros países que seguiram essa tendência.

“A Islândia, em 2023, implementou uma jornada de 35 horas semanais, com uma escala de 4 por 3. O que aconteceu? A economia cresceu 5% e a produtividade do trabalho subiu 1,5%. Nos Estados Unidos, observou-se uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos, não por força de uma lei, mas pela dinâmica do mercado, resultando em um aumento médio de 2% na produtividade”, explicou.

Ele também abordou as críticas que surgem em relação à baixa produtividade da economia, um dos argumentos utilizados por aqueles que são contra a mudança na escala de trabalho. “Se a produtividade é baixa e você não dá a chance para o trabalhador se qualificar, como espera que essa produtividade aumente?”, indagou.

Boulos ainda ressaltou que parte significativa da produtividade abaixo da média no Brasil não pode ser atribuída apenas aos trabalhadores. “O setor privado tem uma grande responsabilidade nesse cenário, pois não investe o suficiente em inovação e tecnologia. A maior parte dos investimentos em pesquisa e inovações no Brasil vem do setor público. O setor privado brasileiro investe proporcionalmente menos do que países com economias semelhantes”, afirmou.

A proposta que o governo está defendendo é a redução da carga horária atual de 44 horas semanais para 40 horas, sem que haja uma diminuição nos salários. A ideia é que isso ocorra em um regime de, no máximo, cinco dias de trabalho por dois de folga (6x1). Além disso, a medida deve incluir um período de transição e compensações para micro e pequenas empresas.

“Essa é a proposta que está sendo elaborada para todos os setores da economia brasileira, visando a dignidade dos trabalhadores”, disse Boulos, ressaltando que há um avanço nas discussões com o Congresso para que o assunto seja votado ainda neste semestre.

No mês de fevereiro do ano passado, foi protocolada na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição...

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