Caminhos da Reportagem: Crimes na Tríplice Fronteira em Foz do Iguaçu
Equipe do programa flagrou, em plena luz do dia, o tráfico internacional de drogas. Homem levava 3,6 kg de maconha em um ônibus que saiu do Paraguai e atravessou a fronteira.
Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, a TV Brasil apresenta o primeiro episódio da nova temporada do programa "Caminhos da Reportagem", que irá ao ar às 23h. O tema central será "Foz do Iguaçu: crimes na fronteira mais movimentada do Brasil". O programa irá explorar o intensa movimentação de pessoas e mercadorias na região, além de destacar os tipos de crimes mais frequentes na tríplice fronteira e as estratégias utilizadas para combatê-los.
Foz do Iguaçu faz fronteira com cinco cidades de dois países: Ciudad del Este, Presidente Franco, Hernandárias e Minga Guazú, todas no Paraguai, e Puerto Iguazú, na Argentina. “Essa é uma área que abriga cerca de 1 milhão de habitantes, e a dinâmica aqui é, de fato, transfronteiriça”, comenta o professor de Direito Internacional, Gustavo Oliveira Viera.
A equipe do programa "Caminhos da Reportagem" testemunhou, em plena luz do dia, uma situação de tráfico internacional de drogas. Um homem de 28 anos foi flagrado transportando 3,6 quilos de maconha em um ônibus que saiu do Paraguai, atravessando a fronteira para o Brasil.
Diariamente, mais de 30 mil pessoas atravessam a Ponte da Fraternidade, que conecta Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, enquanto cerca de 100 mil indivíduos passam pela famosa Ponte da Amizade, que liga Brasil e Paraguai. As autoridades locais afirmam que essa intensa movimentação torna inviável a verificação de documentos de todos os que cruzam a fronteira.
Como resposta, a solução encontrada foi investir em capacitação e tecnologia. “Estamos investindo em inteligência e no treinamento dos servidores para lidar com a linguagem não verbal”, explica Daniel Messias Linck, auditor da Receita Federal, que também tenta combater outro crime sério: o tráfico de seres humanos.
“Esses casos geralmente têm um padrão. Normalmente, são pessoas que não conseguem identificar exatamente para onde estão indo e que demonstram muito medo”, complementa o auditor. O combate ao tráfico de crianças é ainda mais delicado e exige uma abordagem multidisciplinar.
Recentemente, órgãos públicos e a sociedade civil se uniram e já estão colhendo os frutos dessa força-tarefa na fronteira. No Paraguai, a repórter Flavia Peixoto conversou com um casal de missionários para entender melhor o trabalho que realizam. “Nós apoiamos famílias com alimentos, educação e medicamentos, porque quando estão bem, elas ficam menos vulneráveis ao tráfico”, afirma Jacob Schaafsma. A esposa, Nathaly, acrescenta: “Queremos prevenir essa situação, especialmente entre famílias vulneráveis ou disfuncionais. Já encontramos casos de pais e avós que vendem crianças”.
A produção da TV Brasil descobriu que a falta de documentação é um terreno fértil para os criminosos. Um exemplo é a neta da dona de casa Cândida Sanabria, que só conseguiu ser registrada quase três anos após seu nascimento, quando foi adotada pela família. “Abigail é tudo para mim. É minha companhia e minha alegria”, compartilha Cândida.
Além disso, crimes considerados menos graves, como o contrabando (quando a mercadoria é proibida no Brasil) e o descaminho (quando a mercadoria é permitida, mas o imposto não foi pago ao entrar no país), são bastante comuns em Foz do Iguaçu. “O contrabando e o descaminho estão profundamente entrelaçados”, conclui o especialista.
