
CLDF Debate Estratégias de Prevenção e Tratamento do HIV no DF
Publicado em 12/12/2025 12h57
Em dezembro, mês dedicado à conscientização sobre HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu um debate crucial. Na noite de 11 de dezembro de 2025, a audiência pública, liderada pelo deputado Fábio Felix (PSOL), reuniu representantes da Secretaria de Saúde, especialistas, ativistas e membros da sociedade civil.
Fábio Felix, ao abrir o evento, ressaltou a importância do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento. Ele alertou sobre o aumento da interrupção no tratamento antirretroviral, que compromete a prevenção e eleva o risco de novas infecções.
A gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Beatriz Luz, apresentou números alarmantes: cerca de 18 mil pessoas vivem com HIV no DF, e 3.149 delas interromperam o tratamento antirretroviral (Tarv), representando 17% do total. Embora os casos de aids no DF tenham diminuído de 270 em 2020 para 169 em 2025, ainda são registrados entre 700 e 800 novos casos de HIV anualmente. Beatriz enfatizou que quase 50% das mortes por aids ocorrem em menos de cinco anos após o diagnóstico, ressaltando a urgência da detecção precoce e da continuidade do tratamento.
O infectologista Lino Neves, da Policlínica de Ceilândia, destacou a importância de iniciar o tratamento até sete dias após o diagnóstico, embora apenas 26% dos casos consigam isso. Ele defendeu uma maior integração entre serviços especializados, atenção primária e movimentos sociais para reduzir as barreiras existentes.
O estigma em torno do HIV foi outro ponto abordado. O médico Daniel Aguiar mencionou que muitas pessoas hesitam em buscar tratamento por medo de serem reconhecidas. A falta de informação também se mostrou um obstáculo significativo na prevenção, com muitos desconhecendo a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição).
A multiartista e ativista Vênus Venâncio abordou a vulnerabilidade de jovens e mulheres trans, enfatizando que a ausência de políticas públicas e educação sexual agrava a situação. Por fim, Andréia Bocardi, representante do Unaids Brasil, fez um apelo por uma resposta integrada ao HIV, defendendo que a prevenção, o diagnóstico e o cuidado não devem ser tratados de forma fragmentada, e que é essencial enfrentar preconceitos para garantir acesso universal à saúde.