Dólar cai para R$ 5,20, menor valor em 20 meses

Dólar cai para R$ 5,20, menor valor em 20 meses

Migração de capital para países emergentes e prévia da inflação abaixo do esperado injetaram otimismo no mercado

2 min de leituraFonte original

© Valter Campanato/Agência Brasil

Em um dia marcado pela euforia no mercado financeiro, o dólar registrou uma forte queda, alcançando o menor valor em 20 meses. A bolsa de valores também teve um desempenho impressionante, subindo quase 2% e superando pela primeira vez a marca de 180 mil pontos, estabelecendo um novo recorde.

Na terça-feira (27), o dólar comercial fechou a R$ 5,206, apresentando uma queda de R$ 0,074 (-1,41%). Durante toda a sessão, a moeda operou em queda contínua, encerrando o dia perto de sua mínima. Esse valor é o mais baixo desde 28 de maio de 2024, quando o dólar estava cotado a R$ 5,15. Desde o início de 2026, a divisa já acumula uma desvalorização de 5,16%.

O mercado de ações também teve um dia exuberante. O índice Ibovespa, da B3, fechou em 181.919 pontos, com um aumento de 1,79%, alcançando mais um recorde histórico.

O otimismo no mercado financeiro foi impulsionado tanto pelo fluxo de capital estrangeiro que tem vindo para o Brasil quanto por fatores internos. No cenário global, observamos uma migração de recursos, especialmente dos Estados Unidos, para países emergentes, consequência dos recuos recentes de Donald Trump em relação à Groenlândia e da imposição de tarifas à União Europeia.

Internamente, a divulgação de que a prévia da inflação oficial desacelerou em janeiro foi um fator que ajudou a impulsionar a bolsa. A maioria dos investidores acredita que a redução dos juros básicos só deve começar na reunião de março. Contudo, as expectativas aumentaram em relação à possibilidade de que o Banco Central inicie a diminuição da Taxa Selic (juros básicos da economia) na reunião desta quarta-feira (28). Isso já refletiu na queda dos juros no mercado futuro.

Atualizado há 10 horas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista a uma rádio na manhã desta terça-feira, afirmou que enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação do economista Guilherme Mello para a Diretoria de Política Econômica do Banco Central (BC) e do professor Tiago Cavalcanti, da Fundação Getulio Vargas, para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro. Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda desde 2023, Mello enfrenta resistências do mercado financeiro por posições consideradas heterodoxas. As indicações para o BC estão sob análise de Lula, que ainda não definiu os nomes.

Compartilhar: