Indignação no Reino Unido após Trump desmerecer tropas da NATO

De acordo com os números oficiais do Reino Unido, 405 das 457 baixas britânicas que morreram no Afeganistão foram mortas em ações militares hostis.

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Indignação no Reino Unido após Trump desmerecer tropas da NATO

Na última sexta-feira, o Reino Unido reagiu fortemente a uma declaração de Donald Trump que minimizou o papel das tropas da NATO no Afeganistão. O comentário do presidente dos EUA, ao afirmar que essas tropas não estavam na linha de frente, gerou uma onda de indignação entre os britânicos e aliados. Durante uma entrevista à Fox News, Trump parecia desinformado sobre o fato de que 457 soldados britânicos perderam a vida nesse conflito, que se desenrolou após os ataques de 11 de setembro de 2001. "Vão dizer que enviaram algumas tropas para o Afeganistão", comentou Trump, referindo-se aos aliados da NATO. "E realmente enviaram, mas ficaram um pouco atrás, um pouco afastados das linhas de combate", acrescentou. Além disso, Trump reiterou sua visão de que a NATO não estaria disposta a apoiar os Estados Unidos se necessário. No entanto, após os ataques de 11 de setembro, o Reino Unido e outros aliados se uniram aos EUA no Afeganistão, acionando a cláusula de segurança coletiva da NATO. Não foram apenas os britânicos que enfrentaram o perigo; também perderam a vida soldados de países como Canadá, França, Alemanha e Itália, entre outros. O porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer destacou: "O sacrifício deles e de outras forças da NATO foi em prol da segurança coletiva e em resposta a um ataque contra um aliado". Ele enfatizou o orgulho que o país sente por suas forças armadas, afirmando que seu serviço e sacrifício jamais serão esquecidos. Stephen Kinnock, ministro da Saúde, expressou a esperança de que Starmer traga esse tema à tona na conversa com Trump. "Ele sente um orgulho enorme por nossas forças armadas e vai deixar isso claro para o presidente", comentou à rádio LBC. Kinnock acrescentou que as declarações de Trump não fazem sentido, já que, na prática, a cláusula 5 da NATO foi invocada apenas uma vez, precisamente para apoiar os EUA após os ataques de 11 de setembro. John Healey, ministro da Defesa, reforçou essa mensagem, lembrando que o Reino Unido e seus aliados atenderam ao chamado dos EUA, resultando na perda de mais de 450 soldados britânicos. "Esses homens e mulheres foram verdadeiros heróis, que deram suas vidas em serviço à nação", afirmou. Lucy Aldridge, que perdeu seu filho William, de apenas 18 anos, no Afeganistão, descreveu os comentários de Trump como "extremamente perturbadores". Emily Thornberry, presidente da Comissão de Assuntos Externos do Parlamento, foi ainda mais incisiva, chamando as palavras do presidente de "um insulto absoluto" a todas as 457 famílias que sofreram perdas no conflito. "Como ele se atreve a dizer que não estávamos na linha de frente?", questionou Thornberry durante o programa Question Time da BBC, na noite de quinta-feira. Conforme os dados oficiais do Reino Unido, 405 das 457 vítimas britânicas faleceram em ações militares hostis, enquanto os Estados Unidos registraram mais de 2.400 soldados perdidos. Fique por dentro das últimas novidades.

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