
João Canijo, ícone do cinema português, faleceu aos 68 anos
João Canijo morreu na quinta-feira, dia 29 de janeiro, aos 68 anos. A causa da morte não foi divulgada, mas alguns órgãos de comunicação social avançam com a possibilidade de um ataque cardíaco fulminante.
Perdeu-se uma das figuras mais marcantes do cinema português, mas a sua obra permanecerá viva para sempre.
João Canijo nasceu no Porto, a 10 de dezembro de 1957. Completou 68 anos há pouco mais de um mês e, recentemente, dividia seu tempo entre Lisboa e Vila Viçosa, no Alentejo, onde faleceu, possivelmente, em decorrência de um ataque cardíaco fulminante.
Iniciou seus estudos em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mas acabou não terminando o curso. A paixão pelo cinema falou mais alto e ele decidiu se dedicar a essa arte que tanto amava.
João foi assistente de realização de renomados cineastas como Manoel de Oliveira, Wim Wenders e Werner Schroeter. Em 1988, deu o primeiro passo como diretor com a sua longa-metragem de estreia, “Três Menos Eu”.
Sua entrega ao cinema se manifestou de várias formas: escreveu, dirigiu e até atuou, especialmente em curtas-metragens. Nos anos 90, dirigiu séries de sucesso como “Alentejo Sem Lei”, “Cluedo” e “Sai da Minha Vida”. Mais recentemente, em 2024, trouxe à RTP a série “Hotel do Rio”, inspirada em seus filmes “Viver Mal” e “Mal Viver”.
O cineasta era conhecido pela intensidade das suas personagens e pela maneira singular com que captava as emoções e vivências humanas, sempre com um olhar especial para a figura feminina. Em suas palavras, acreditava que o público deveria ter a liberdade de “criar as suas próprias histórias”, por isso, evitava narrativas excessivamente explicativas.
Entre os muitos filmes que compõem seu legado, destacam-se "Noite escura" (2004), "Sangue do Meu Sangue" (2011), "Portugal, um dia de cada vez" (2015), "Fátima" (2017), "Viver Mal" (2023) e "Mal Viver" (2023).
Foi com “Mal Viver” que conquistou um dos prêmios mais significativos da sua carreira: o Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2023. Ele mesmo comentou, em uma entrevista, que sem a participação no festival, o filme não teria alcançado tantos países, como México, Argentina, Uruguai, Espanha e França, e o considerou “o seu melhor filme”.
A ministra da Cultura de Portugal, Margarida Balseiro Lopes, já se manifestou sobre a morte do cineasta, destacando a "perda irreparável para a cultura portuguesa."
Na sua trajetória, João Canijo estava envolvido na fase de pós-produção do filme "Encenação", que foi rodado no ano passado e tem Miguel Guilherme como protagonista.
O legado deixado por João Canijo no cinema é inegável, não apenas em Portugal, mas também a nível internacional, refletindo de forma autêntica a cultura portuguesa através das inúmeras personagens que ajudou a criar.
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