NATO aguarda diretrizes sobre acordo-quadro para a Gronelândia

Pouco se sabe ainda sobre o acordo, embora aparentemente tenha satisfeito Donald Trump o suficiente para que ele retirasse a sua ameaça de tarifas contra oito países europeus.

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Na tarde de quinta-feira, os responsáveis pelo planejamento militar da NATO se pronunciaram sobre a situação atual em relação ao acordo-quadro estabelecido entre os Estados Unidos e a Dinamarca para a Gronelândia. De acordo com o que foi dito, ainda não receberam qualquer orientação a respeito, mas estão prontos para iniciar os trabalhos assim que isso ocorrer.

"Ainda estamos numa fase muito inicial", comentou o almirante Guiseppe Cavo Dragone, presidente do Comité Militar da NATO, durante uma coletiva de imprensa após uma reunião do Comité Militar dos Chefes de Estado-Maior, realizada na sede da NATO em Bruxelas. Ele destacou: "Estamos aguardando uma orientação e, a partir daí, daremos início ao nosso trabalho, que é o planejamento militar".

Embora os detalhes do acordo-quadro, que foi acertado na noite de quarta-feira em Davos entre Donald Trump e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, ainda sejam escassos, é evidente que o entendimento foi suficientemente satisfatório. Isso levou Trump a recuar de sua ameaça de impor taxas adicionais de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre oito países europeus que enviaram tropas para a Gronelândia na semana anterior.

Rutte e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, também reforçaram que o acordo respeita a soberania e a integridade territorial da Gronelândia, que pertence ao Reino da Dinamarca. Frederiksen, em comunicado, expressou seu desejo de continuar um "diálogo construtivo" com os aliados da NATO sobre como fortalecer a segurança na região do Ártico. Ela mencionou, ainda, a importância de que essas discussões respeitem a integridade territorial da Dinamarca, incluindo o uso do sistema de defesa antimíssil Golden Dome dos EUA.

Por outro lado, o Comandante Supremo Aliado da Europa (SACEUR) da NATO, General Alexus G. Grynkewich, afirmou que ainda não começaram a planejar uma possível missão no Ártico. "Nunca recebemos orientações políticas para avançar. Estamos cientes das discussões em andamento e, por isso, estamos pensando em como organizar isso", explicou, reiterando que, no momento, não há planejamento em curso.

As conversas sobre uma missão potencial ganharam força após Trump intensificar sua retórica sobre a Gronelândia, sugerindo que a NATO poderia demonstrar compromisso com a segurança no Alto Norte e no Ártico.

O SACEUR também mencionou que diversos exercícios da NATO estão programados para os próximos meses no Ártico, mas nenhum deles terá como foco específico a Gronelândia. Recentemente, a França solicitou que a NATO considerasse a possibilidade de realizar um exercício conjunto na Gronelândia e se dispôs a contribuir para isso.

Ainda assim, Grynkewich tentou transmitir uma mensagem de tranquilidade, afirmando que "ninguém deve duvidar da nossa prontidão" no Alto Norte e no Ártico. Ele destacou que os países nórdicos, como Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca, possuem capacidades significativas que estão sendo utilizadas diariamente. Em particular, ele mencionou que as forças armadas da Finlândia e da Suécia, os mais recentes integrantes da Aliança, estão "numa posição forte" para colaborar.

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