Parlamento Italiano Aprova Orçamento de 2026 Amidst Protestos

Parlamento Italiano Aprova Orçamento de 2026 Amidst Protestos

Aprovação do orçamento enfrenta resistência interna e provoca manifestações populares

3 min de leituraFonte original

O Parlamento da Itália aprovou, nesta terça-feira, o controverso orçamento para 2026, após intensos debates e negociações políticas. A Câmara dos Deputados ratificou o projeto por meio de um voto de confiança, com 216 votos a favor, 126 contra e três abstenções. Este pacote orçamentário introduz cerca de €22 bilhões em novas medidas, das quais €3,5 bilhões foram adicionados através de uma emenda governamental de última hora.

O orçamento gerou tensões significativas dentro da coalizão governista que apoia a primeira-ministra Giorgia Meloni, especialmente no tocante às propostas de alteração nas regras de elegibilidade para aposentadorias antecipadas. Essas mudanças receberam críticas até mesmo de membros do próprio partido da Liga, liderado pelo ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti. Em resposta à pressão interna crescente, o governo fez ajustes em algumas das medidas mais polêmicas.

Críticas de sindicatos e partidos de oposição destacam que o orçamento não aborda adequadamente questões cruciais como o crescimento econômico e a saúde pública. Além disso, o aumento nos gastos com defesa, em conformidade com as demandas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os aliados da OTAN, também foi alvo de contestação. Outro ponto controverso foi o aumento dos impostos sobre o diesel, visto como uma traição a uma promessa importante feita antes das eleições.

Entre as principais disposições, destaca-se a redução na alíquota do IRPEF para rendimentos entre €28.000 e €50.000, que passará de 35% para 33%. Novas taxas sobre bancos e seguradoras, totalizando cerca de €4,4 bilhões, foram introduzidas para financiar essas medidas. Apesar das restrições fiscais, o governo busca reduzir o déficit para menos de 3% do PIB. A Comissão Europeia prevê que o déficit da Itália atinja 3% em 2025 e diminua para 2,8% em 2026.

A aprovação do orçamento não apenas reacendeu debates políticos, mas também provocou protestos generalizados. Milhares de manifestantes tomaram as ruas para se opor aos cortes propostos nos serviços públicos e ao aumento dos gastos com defesa, exigindo mais investimentos em saúde e assistência social.

A líder do Partido Democrático, Elly Schlein, criticou veementemente o orçamento antes da votação final, afirmando que as principais preocupações dos italianos são o alto custo de vida e as longas filas na saúde. Segundo Schlein, o orçamento ignora estas questões fundamentais e promove uma política de austeridade que não prevê crescimento econômico. Ela também acusou o governo de beneficiar desproporcionalmente os mais ricos, enquanto enfraquece os serviços públicos.

Em contrapartida, a primeira-ministra Meloni defendeu o orçamento como uma medida responsável, destacando seu foco em prioridades como famílias e emprego. Apesar das críticas, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, elogiou a gestão fiscal de Meloni, considerando a Itália como um 'pilar de estabilidade na Europa'. Giorgetti declarou que o governo alcançou resultados que 'pareciam impossíveis' com este orçamento.

O contexto histórico revela que a Itália tem enfrentado dificuldades em equilibrar suas contas públicas nos últimos anos, com orçamentos anteriores frequentemente falhando em impulsionar o crescimento econômico de maneira sustentável. As mudanças propostas nas regras de aposentadoria devem impactar diferentes grupos demográficos, especialmente os trabalhadores mais jovens e aqueles próximos da aposentadoria, gerando incertezas sobre o futuro previdenciário.

Em suma, enquanto o governo comemora a aprovação do orçamento como um passo necessário para a estabilidade econômica, as vozes críticas continuam a ressaltar a necessidade de políticas que abordem de forma mais direta as preocupações da população, particularmente em tempos de desafios econômicos e sociais.

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