Por que trens não têm cintos de segurança? Entenda a segurança ferroviária

Os dois acidentes ferroviários ocorridos em Espanha esta semana reabriram o debate sobre a segurança dos comboios. As mortes em Adamuz e Gelida levantam questões urgentes.

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A segurança nos transportes ferroviários é uma preocupação constante, especialmente após tragédias recentes. Se os cintos de segurança são obrigatórios em automóveis e aviões, por que viajamos de trem sem eles? A resposta pode surpreender: na verdade, usá-los poderia ser mais arriscado. O British Rail Safety and Standards Board conduziu testes com manequins e simulações em computador, avaliando cintos com duas fixações, semelhantes aos dos aviões, e três fixações, como os dos carros. Os resultados foram claros: os cintos, em caso de colisão, aumentaram a gravidade dos ferimentos.

A Renfe, ao ser questionada sobre essa questão nas redes sociais, esclarece que os comboios não possuem cintos de segurança porque os regulamentos internacionais desaconselham seu uso. A proteção nos trens funciona de maneira distinta. Os bancos são projetados para absorver e distribuir a energia de um impacto. A disposição dos elementos internos, como bancos e mesas, faz com que o conjunto atue como um sistema de proteção passiva. Ao contrário dos automóveis, que podem travar abruptamente, ou dos aviões, que podem cair em caso de turbulência, a física de um acidente ferroviário é diferente. Os testes mostraram que bancos resistentes ao impacto, sem cintos de segurança, oferecem melhor proteção aos passageiros do que se estes estiverem presos. Em um acidente de trem, estar preso por um cinto pode agravar os ferimentos.

Falando em segurança, como funciona o sistema de bloqueio de comboios da Adif? O sistema ferroviário na Espanha conta com vários níveis de proteção. O 'dicionário ferroviário' do Administrador de Infraestructuras Ferroviarias (Adif) lista os principais componentes:

  • Detetores de eixos quentes: instalados nas vias, esses dispositivos monitoram a temperatura das rodas. Se detectarem um aquecimento excessivo, emitem um alerta. O calor pode causar bloqueios nos travões, descarrilamentos ou até a quebra de rodas, funcionando como uma medida preventiva.
  • Equipamento de bloqueio: abrange todos os dispositivos e sinalizações que regulam a circulação entre estações. Sua função é evitar colisões entre os comboios. O sistema divide a via em cantões ou seções, permitindo que apenas um comboio ocupe cada cantão. Assim, se um comboio está em uma seção, o próximo só pode entrar quando o primeiro desocupar.
  • Sistema de homem morto: é um pedal que garante que o maquinista esteja atento. Se ele deixar de pressionar o pedal, um alarme soa. Caso não haja reação em três segundos, o trem é automaticamente travado. Esta é a última barreira contra erros humanos.
  • ASFA (Automatic Signal Announcement and Braking System): este sistema repete ao maquinista os sinais de trânsito que ele encontra. Se necessário, ativa automaticamente os travões. Os desenvolvimentos mais recentes ampliam a informação para o condutor e monitoram continuamente a velocidade em relação aos sinais restritivos.
  • Especificações Técnicas de Homologação (ETH): essas normas e requisitos são essenciais para garantir que todos os comboios funcionem de maneira segura, fiável e com a devida compatibilidade técnica.

Esses mecanismos, juntos, ajudam a garantir que viajar de trem seja uma experiência segura e eficiente. Fique por dentro das últimas novidades.

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