Primeira Soltura de Araras-Canindés no Parque Nacional da Tijuca
Projeto Refauna pretende soltar 50 araras-canindé na cidade do Rio de Janeiro nos próximos cinco anos para reintroduzir espécie.
© Flavia Zagury/Refauna
A vibrante plumagem das araras-canindés voltou a colorir o céu carioca com a primeira soltura dessa espécie na cidade, que há tempos era considerada extinta. No início de janeiro, a organização Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), deu um grande passo ao libertar três fêmeas, batizadas como Fernanda, Suely e Fátima, no Parque Nacional da Tijuca. “Não existe mais uma população de araras-canindés no Rio”, destacou Lara Renzeti, bióloga do Refauna e responsável pela reintrodução. “Essa foi a primeira e, até agora, a única soltura dessa espécie de aves no Rio de Janeiro.” A escolha do nome Fernanda foi uma homenagem à atriz Fernanda Torres, famosa por seu papel no aclamado filme "Ainda Estou Aqui". Fátima, por sua vez, leva o nome da personagem que a atriz interpretou na série "Tapas e Beijos", onde Andréa Beltrão fazia a sua parceira, Suely. As aves foram trazidas do Parque Três Pescadores, em Aparecida, São Paulo, onde estão localizados o Refúgio das Aves, um centro dedicado ao acolhimento e reabilitação de animais silvestres que não se mostram adequados à domesticação. Embora uma quarta arara estivesse prevista para ser solta, ela ainda precisa de cuidados especiais. Batizada de Selton, em homenagem ao ator Selton Mello, que interpretou Rubens Paiva no mesmo filme, essa arara macho não conseguiu passar pelo processo de aclimatação devido a uma infecção pulmonar não contagiosa. A medicação que recebeu enfraqueceu suas penas, e, por isso, Selton terá que esperar a regeneração delas antes de poder voar novamente. Ele deverá se juntar a um novo grupo de quatro a seis araras-canindés que estão previstas para chegar ao Parque Nacional da Tijuca em março. Após um período de aclimatação de quatro a seis meses, espera-se que essas aves possam ser soltas entre agosto e setembro deste ano. A primeira soltura, vale ressaltar, teve seu treinamento atrasado em sete meses devido à condição de Selton. A equipe do Refauna já tem algumas ideias para os nomes das novas araras, mas isso será revelado em outro momento, conforme confidenciou Lara. As araras-canindés chegaram ao Parque Nacional da Tijuca em junho de 2025 e foram colocadas em um recinto na floresta para que pudessem se familiarizar com os sons e os aromas de seu novo lar. "Começamos a ensiná-las algumas habilidades, como o treinamento de voo, que além de facilitar o manejo, serve como um exercício diário para fortalecer a musculatura necessária para o voo e garantir um bom condicionamento”, explicou Lara. Além disso, a equipe busca corrigir comportamentos inadequados, como a aproximação excessiva das pessoas ou descer muito ao chão. As araras estão passando por uma transição cuidadosa, que é fundamental para o sucesso dessa reintrodução.
