Relatório revela conexão entre poluidores e resistência ao fim dos combustíveis fósseis

Empresas públicas de combustíveis fósseis que mais poluíram em 2024 bloquearam roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis na COP30

3 min de leituraFonte original

Grupo cada vez mais reduzido de gigantes do setor de combustíveis fósseis tem exercido um controle significativo sobre as emissões globais, indo além de simplesmente influenciar; eles estão 'saboteando ativamente' a ação climática, o que tem o efeito de minar a ambição dos governos. Uma nova análise baseada nos dados da Carbon Majors revelou que, em 2024, apenas 32 empresas foram responsáveis por 50% das emissões globais de CO2, uma diminuição em relação às 36 do ano anterior. Vale lembrar que 2024 foi marcado como o ano mais quente já registrado, sendo o primeiro a ultrapassar a marca de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Recentemente, a Copernicus confirmou que 2025 também registrou altas temperaturas, sendo o terceiro ano mais quente globalmente e na Europa, com as mudanças climáticas elevando as temperaturas acima desse limite pela primeira vez em um intervalo de três anos. Diante desse cenário alarmante, especialistas estão clamando por um aumento no investimento em energia limpa. Eles argumentam que as empresas de combustíveis fósseis, que têm se mostrado 'enganosas', não podem mais impedir o avanço do mundo nessa direção. A transição para a energia limpa tornou-se um tema polêmico na cimeira COP30, realizada em Belém, mesmo sem estar na agenda oficial. Mais de 90 países, incluindo Reino Unido, Alemanha e Países Baixos, manifestaram apoio a um roteiro que permitiria a cada nação definir suas próprias metas para eliminar os combustíveis fósseis. O presidente Lula da Silva também se destacou, pedindo ao mundo que comece a 'pensar em como viver sem combustíveis fósseis'. No entanto, apesar desse impulso, todas as menções a combustíveis fósseis foram retiradas do acordo final nos momentos finais da cimeira. De acordo com a Carbon Majors, 17 dos 20 maiores emissores em 2024 eram empresas controladas por países que acabaram bloqueando esse roteiro. Entre eles, destacam-se Arábia Saudita, Rússia, China, Índia, Iraque, Irã e Qatar. 'Anualmente, as emissões globais estão cada vez mais concentradas em um número reduzido de grandes produtores, enquanto a produção total continua a crescer', observa Emmet Connaire, analista sênior na Influence Map, que abriga a plataforma Carbon Majors. 'Ao mesmo tempo, esses grandes emissores continuam a fazer lobby para impedir uma transição que a comunidade científica já há décadas considera essencial.' A esperança de um futuro livre de combustíveis fósseis está se deslocando para fora do âmbito da ONU. Em abril, mais de 85 países se reunirão na conferência Global Fossil Fuel Phaseout, na Colômbia, que está sendo coorganizada pelos Países Baixos. Em 2024, os cinco maiores emissores estatais foram a Saudi Aramco, Coal India, CHN Energy (controlada pela China), National Iranian Oil Co. e Gazprom (controlada pela Rússia). Juntas, essas empresas foram responsáveis por 18% das emissões globais de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e cimento. Curiosamente, a Coal India, a CHN Energy, a National Iranian Oil Co. e a Gazprom aumentaram suas emissões em 2024 em relação ao ano anterior. No campo dos emissores controlados por investidores, os cinco maiores foram ExxonMobil, Chevron, Shell, BP e ConocoPhillips, que juntos foram responsáveis por 5,5% das emissões globais de CO2 de combustíveis fósseis e cimento em 2024.

Compartilhar: