Supermercados Europeus e Sustentabilidade Climática: Avaliação 2026

Peritos apelam aos supermercados europeus a apostarem em alimentos à base de plantas, para cortar emissões e reduzir custos operacionais.

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Supermercados Europeus e Sustentabilidade Climática: Avaliação 2026

Os supermercados na Europa desempenham um papel crucial no impacto climático do sistema alimentar. Especialistas destacam que poucas cadeias demonstram um comprometimento real com a redução das emissões de gases de efeito estufa. É importante ressaltar que a alimentação e a agricultura são responsáveis por cerca de um terço das emissões globais, ficando atrás apenas da queima de combustíveis fósseis.

Um estudo publicado em 2023 na revista científica Nature revelou que as emissões ligadas à produção e consumo de alimentos podem, até 2100, adicionar quase 1 ºC ao aquecimento da atmosfera terrestre. Charlotte Lineebank, diretora do think tank Questionmark, afirma: "Os supermercados têm um poder significativo para moldar um sistema alimentar que seja tanto saudável quanto favorável ao clima". Apesar de algumas iniciativas inovadoras, o setor ainda não explorou todo o seu potencial.

Mas como os supermercados podem se tornar mais sustentáveis? A Questionmark, em parceria com a WWF, ProVeg International e Madre Brava, analisou 27 supermercados em toda a Europa, abrangendo seis Estados-membros da UE (França, Alemanha, Países Baixos, Polônia, Espanha e Suécia), além da Suíça e do Reino Unido. Os pesquisadores criaram uma ‘superlista’ com base em duas avaliações principais: a conformidade dos planos climáticos dos supermercados com o Acordo de Paris e seus esforços para direcionar as vendas de proteínas para dietas mais ricas em vegetais.

A transparência e a ambição das metas de um supermercado influenciam positivamente sua pontuação. Por exemplo, um supermercado pode obter uma boa avaliação no indicador de Plano Climático se estabelecer metas ousadas de redução de emissões. Da mesma forma, pode se destacar no indicador de Transição Proteica ao relatar a proporção de produtos de origem animal em comparação aos de origem vegetal nas vendas totais. A carne, especialmente a bovina e a de cordeiro, é frequentemente citada como uma das principais responsáveis pelos danos ambientais. Um estudo da CO2 Everything indica que uma porção de 100 g de carne de vaca equivale a 78,7 km de condução, resultando em 15,5 kg de CO2 equivalente.

O relatório também destacou que, embora as emissões de muitos supermercados continuem a crescer, dois terços das cadeias reconhecem sua responsabilidade na transição para dietas mais baseadas em vegetais. Supermercados na Alemanha e nos Países Baixos estão se destacando nessa transição europeia em direção a sistemas alimentares sustentáveis. Nomes como Albert Heijn, Lidl (em quatro países), Jumbo, REWE e Aldi Süd demonstraram os compromissos mais sólidos na redução de emissões, ajustando suas vendas de proteína.

Atualmente, apenas cinco supermercados (ICA, Jumbo, Kaufland, Migros e REWE) conseguiram reduzir suas emissões desde que começaram a fazer relatórios. O Lidl nos Países Baixos se destacou como o melhor classificado, seguido pelo Lidl na Polônia e pela Albert Heijn nos Países Baixos. Em contrapartida, o E.Leclerc na França ficou na última posição, seguido pela Coop na Suécia e pela Aldi Nord na Alemanha.

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