Tempestade Kristin: Europa enfrenta mau tempo e Portugal em alerta

Fortes tempestades têm assolado o continente europeu. Em Portugal, o agravamento do estado do tempo levou a Proteção Civil a ativar o aviso vermelho em algumas zonas do país. O vento pode chegar a 160 km/h.

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Tempestade Kristin: Europa enfrenta mau tempo e Portugal em alerta

Após as depressões Ingrid e Joseph, Portugal se depara novamente com uma tempestade, agora chamada Kristin. O mau tempo está provocando uma série de tempestades atlânticas, um fenômeno conhecido como 'comboio de tempestades'. Recentemente, a frequência dessas depressões em solo português tem aumentado, refletindo um padrão climático instável. Para a tempestade Kristin, as previsões indicam chuvas persistentes e, em alguns momentos, intensas, que podem ser acompanhadas de granizo e trovoadas. Além disso, rajadas de vento podem atingir impressionantes 160 km/h, com neve em áreas mais elevadas e um mar agitado, resultando em inundações localizadas, interrupções no fornecimento de energia e complicações na circulação nas estradas.

Na noite de terça para quarta-feira, a expectativa é de que o tempo se agrave ainda mais. As cidades do Porto, Aveiro e Coimbra estão sob aviso vermelho entre as 03:00 e as 06:00, com rajadas de vento que podem chegar a 160 km/h, um fenômeno conhecido como 'ciclogénese explosiva'. Esta depressão secundária formou-se enquanto a depressão Joseph ainda se deslocava e estará centrada a oeste do Porto às 00:00 de quarta-feira.

Além disso, um alerta elevado foi emitido entre as 03:00 e as 21:00, abrangendo os distritos de Faro, Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga, devido ao risco de agitação marítima. Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e Castelo Branco estão sob aviso laranja desde as 12:00 desta terça-feira, enquanto Aveiro está em aviso amarelo devido à previsão de neve acima de 800 metros.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), essa situação meteorológica pode resultar em 'inundações em áreas urbanas' e 'eventuais acidentes na orla costeira devido à agitação do mar'. Na costa ocidental, as ondas podem alcançar até 7 metros, e em alguns locais, podem atingir 14 metros.

Em uma entrevista à Euronews, Tiago Pinho, administrador da página Meteo Trás-os-Montes - Portugal, destacou que o país não está devidamente preparado para depressões como essa, com ventos tão intensos, o que pode causar danos às infraestruturas, queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia. A expectativa é que a neve afete principalmente áreas de maior altitude, como a Serra da Estrela e outras regiões montanhosas do Norte e Centro.

Tiago Pinho também explica que fenômenos como este geralmente são causados pela atividade marítima. 'Estamos no inverno e, nesta época do ano, sempre há tempestades de maior impacto. Neste momento, temos duas grandes tempestades no Atlântico Norte, a Joseph e a Chandra, que estão interagindo entre si. Isso está gerando tempestades menores, como a Kristin, que foi nomeada há poucas horas', comenta. Ele enfatiza que países próximos ao oceano ou cercados por mar enfrentam riscos maiores. 'Sem a presença do antigo ciclone dos Açores, que está fora de cena agora, Portugal fica com um corredor aberto para a entrada de frentes atlânticas, depressões e tempestades de grande porte', conclui Tiago Pinho.

Atualizado há 1 hora

A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em Portugal continental. Lisboa, Leiria, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Santarém, Setúbal e Guarda foram os distritos mais afetados, segundo informou o IPMA. A tempestade entrou em território nacional pela zona de Leiria e daí progrediu para o interior do país.

Há desalojados, estádios danificados, telhados arrancados, aviões destruídos, uma roda gigante caída, linhas e comboios suspensos. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil registou 5.400 ocorrências até às 22h00 de quarta-feira.

O mau tempo afetou o fornecimento de energia elétrica em algumas zonas do país, com cerca de um milhão de clientes a serem afetados durante o pico da tempestade.

Há ainda a lamentar a morte de seis pessoas: três em Leiria, uma na Marinha Grande, uma Silves e outra em Vila Franca.

Leiria foi, por certo, um dos concelhos mais afetados pela tempestade. No local, o autarca falava na quarta-feira numa "recuperação que pode demorar um ano", reforçando que o levantamento dos prejuízos ainda está a ser feito.

"Os prejuízos ainda não estão calculados, mas é imprevisível calcular os danos que provoca na vida das pessoas. Temos cenários dantescos de igrejas sem telhados, pavilhões desportivos sem coberturas, muitas casas sem telha, casas e carros totalmente destruídos, gruas derrubadas. É um cenário próprio de pós-catástrofe, muito parecido com aquilo que costumamos ver na televisão, num ambiente de guerra", destacou o autarca, aqui citado pela agência Lusa.

Foi decretada a Situação de Alerta no concelho mas Gonçalo Lopes vai mais longe, pedindo uma "resposta nacional" por parte do Governo.

"Por isso, apelo ao Governo para que avalie e decrete a situação de calamidade. É essencial uma resposta nacional forte e solidária" escreveu numa publicação no Facebook.

Luís Montenegro esteve na quarta-feira na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. O primeiro-ministro reiterou o pesar pelas vítimas mortais e garantiu que o Governo está em contacto com as autarquias das regiões afetadas.

"Já está a ser feita uma avaliação de tudo aquilo que são as consequências no terreno e de todos os instrumentos que podemos utilizar para uma reposição mais célere da situação", assegurou.

Aos jornalistas, o primeiro-ministro não exclui declarar situação de calamidade.

De recordar que, para ajudar a ultrapassar situações de catástrofe, qualquer país da União Europeia pode pedir a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Portugal não é exceção.

A maior rajada de vento causada pela Kristin foi de 202 km/hora no "pico" da passagem da depressão pelos concelhos de Coimbra, Figueira da Foz, Mira e Cantanhede, mas também de Montemor, Condeixa, Penela, Miranda do Corvo e Soure, onde existe uma estação do IPMA. A informação foi avançada ao Diário de Coimbra por Carlos Tavares, comandante sub-regional de Coimbra da Proteção Civil, que fala num fenómeno rápido, mas que entrou "com violência e com grau de destruição muito elevado".

Foi assim batido o recorde nacional, que era de 176,4 km/h, na Figueira da Foz, a 13 de Outubro de 2018, durante a tempestade Leslie.

A Base Aérea de Monte Real registou uma rajada de 178 km/h e, depois disso, ficou destruída pelo vento.

No Cabo Carvoeiro, foram registadas rajadas de vento de 150 km/h; em Ansião chegou aos 146 km/h. No Algarve, Faro registava rajadas de 100 km/h.

Quando comparados aos de um furacão de acordo com a Escala de Ventos de Furacões Saffir-Simpson, que vai de 1 a 5, estes valores poderiam colocar a depressão Kristin na categoria 2 (154-177 km/h) ou até categoria 3 (178-208 km/h).

Se se tratasse de um furacão desta categoria, os danos que já são extensos, seriam ainda mais devastadores.

O IPMA está a tratar depressão Kristin como um fenómeno raro, equiparado apenas a tempestades que ocorreram em 2009 e 2018.

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