Trump: Hamas pode desarmar com avanço em paz em Gaza

Os EUA afirmaram na semana passada que estavam a avançar para a fase seguinte do plano de cessar-fogo, que inclui a reconstrução de Gaza e a criação de um grupo de peritos palestinianos que administrará os assuntos quotidianos.

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Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração surpreendente, afirmando que o Hamas estaria disposto a entregar suas armas, um passo significativo em direção a um delicado cessar-fogo com Israel. "Muita gente dizia que isso nunca aconteceria. Mas parece que eles realmente vão se desarmar", comentou Trump durante uma reunião com sua equipe.

Ele elogiou a colaboração com o Hamas, um grupo classificado como terrorista pelos EUA, especialmente após as forças israelitas terem recuperado os restos mortais de Ran Gvili, o último refém mantido em Gaza. "Eles nos ajudaram a trazer os corpos de volta, e a família está extremamente grata por isso", disse Trump. No entanto, até o momento, o Hamas não confirmou essa informação sobre o desarmamento.

Trump havia solicitado uma atualização sobre a situação no Oriente Médio ao seu enviado especial, Steve Witkoff, que se mostrou otimista em relação à entrega das armas pelo Hamas. "Conseguimos tirar os terroristas de lá, e eles vão se desmilitarizar. Não têm outra escolha a não ser fazer isso", afirmou Witkoff. Ele foi enfático: "Vão abrir mão de tudo, até das AK-47", disse ele a Trump.

Por sua vez, o Hamas declarou que a entrega do corpo de Gvili é uma demonstração do seu compromisso com o cessar-fogo. Porém, a organização insiste que o desarmamento é uma linha vermelha. Curiosamente, sugeriu estar disposto a entregar suas armas a uma autoridade governamental palestiniana, o que abre espaço para um diálogo mais amplo.

O desarmamento é uma peça central na segunda fase do plano de cessar-fogo que foi acordado em outubro. Além disso, um comitê tecnocrático palestiniano está sendo formado para assumir a governança da Faixa de Gaza. Na semana passada, os EUA anunciaram que estavam avançando para essa nova fase do plano, que também inclui a reconstrução da região e a criação de um grupo de especialistas palestinianos para lidar com questões cotidianas sob supervisão americana.

Witkoff comunicou no X que o acordo de cessar-fogo, mediado por Trump, estava prestes a entrar nessa nova fase, após dois anos de conflitos entre Israel e o Hamas, o que inclui a formação de um governo tecnocrático em Gaza. "Estamos prontos para lançar a segunda fase do plano de 20 pontos do Presidente, que visa encerrar o conflito em Gaza. Vamos passar da fase de cessar-fogo para a desmilitarização, a governança tecnocrática e a reconstrução", detalhou Witkoff.

Entretanto, ele não forneceu informações específicas sobre quem integrará essa nova administração palestiniana que governará Gaza. O comitê tecnocrático, de acordo com Witkoff, terá a responsabilidade de oferecer serviços públicos a mais de 2 milhões de palestinianos na região. No entanto, desafios significativos e questões sem resposta permanecem, especialmente em relação à sua estrutura e financiamento.

As Nações Unidas estimam que a reconstrução da Faixa de Gaza exigirá mais de 50 bilhões de dólares (cerca de 42 bilhões de euros), um processo que levará anos e para o qual até agora foram prometidos poucos recursos.

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