Vacinação contra dengue: Ceará e Minas Gerais iniciam imunização
Maranguape e Nova Lima começaram a aplicar vacina do Butantan. Em Botucatu (SP), imunização começa no domingo (18).

As cidades de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, estão fazendo história na luta contra a dengue ao iniciar a vacinação-piloto com um imunizante de dose única, desenvolvido pelo Instituto Butantan. Nesta fase inicial, 204,1 mil doses serão distribuídas entre essas cidades e Botucatu, em São Paulo, com a seguinte divisão: Maranguape receberá 60,1 mil doses, Nova Lima ficará com 64 mil, e Botucatu, 80 mil. Esse número é suficiente para vacinar em massa a população-alvo, que abrange cidadãos com idades entre 15 e 59 anos. Vale destacar que em Botucatu a vacinação começará no próximo domingo, dia 18 de janeiro. Os resultados dessa imunização serão monitorados ao longo de um ano, com especialistas à frente das análises, que avaliarão a incidência da dengue nas cidades escolhidas e verificarão possíveis efeitos adversos raros decorrentes da vacina. Essa metodologia já foi utilizada em Botucatu para analisar a eficácia da vacina contra a covid-19, o que traz um certo nível de confiança para este novo projeto. Se os resultados forem animadores, a produção em massa do imunizante será iniciada para atender todo o Brasil. Até agora, o Butantan já fabricou 1,3 milhão de doses. Entretanto, antes de obter esses resultados, a imunização de grupos prioritários será realizada com a chegada de mais doses da Butantan DV. A vacinação dos profissionais da atenção primária à saúde está programada para começar no início de fevereiro. Esse grupo, que inclui médicos, enfermeiros e agentes comunitários, deverá receber cerca de 1,1 milhão de doses que não foram utilizadas nesta fase inicial. De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação será expandida gradualmente por todo o país, começando pela população de 59 anos e seguindo até o público de 15 anos, graças à transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A expectativa é de que a produção aumente em até 30 vezes. Durante o lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, explicou os critérios para a escolha das cidades. “Optamos por cidades com população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde bem estruturada, capaz de implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus”, comentou. Massuda também ressaltou que esta é a primeira vacina contra a dengue que pode ser aplicada em dose única, o que facilita uma imunização mais rápida e eficaz. Os estudos clínicos mostraram uma eficácia global de 74%, com uma impressionante redução de 91% nos casos graves da doença. Nenhum dos vacinados precisou ser hospitalizado devido à dengue. A vacina é resultado de um longo processo de 20 anos, que envolveu a colaboração de diversos centros de pesquisa nacionais e também teve apoio de pesquisadores internacionais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contribuiu com um financiamento de R$ 32 milhões em 2008 e, em 2017, destinou mais R$ 97 milhões para a construção da fábrica de vacinas. Ao todo, o desenvolvimento do imunizante recebeu investimentos que somam R$ 305,5 milhões. A rede de saúde das cidades participantes atenderá os moradores que apresentarem um documento oficial com foto, garantindo assim uma organização adequada durante o processo de vacinação.
