Acordo Mercosul-UE: Lula e Ursula destacam benefícios mútuos
Os dois se reuniram na sede do Ministério das Relações Exteriores na capital fluminense para tratar do acordo que será assinado no próximo sábado (17)
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A Bolívia, o mais novo membro do Mercosul, não participou das negociações, mas poderá aderir ao acordo nos próximos anos.. A importância de criar uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, enquanto Donald Trump retira os Estados Unidos da economia internacional.. O acordo concede às nações sul-americanas maior acesso a uma taxa tributária preferencial no mercado europeu de produtos agrícolas. e mais.
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Lula não estará presente na cerimônia de assinatura no Paraguai, sendo representado por Mauro Vieira. Especialistas apontam que a ausência de Lula pode indicar decepção por o acordo não ter sido assinado durante a presidência rotativa do Brasil no Mercosul. A liderança de Lula foi reconhecida por Ursula von der Leyen, destacando seu compromisso pessoal na concretização do acordo.
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A implementação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia promete reduzir desigualdades e abrir caminho para um futuro próspero. Essa expectativa foi expressa na última sexta-feira (16) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante um encontro no Rio de Janeiro.
Os líderes se reuniram na sede do Ministério das Relações Exteriores, onde discutiram os detalhes do acordo que, ao ser efetivado, criará uma das maiores áreas comerciais do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de pessoas. A aprovação do acordo pela União Europeia foi anunciada na semana passada, após mais de 25 anos de negociações.
Lula enfatizou que "a liberalização e a abertura comercial só fazem sentido se estiverem alinhadas com o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades". Ele destacou que o comércio e os investimentos podem gerar novos empregos e oportunidades, fundamentais para o crescimento.
"É através do diálogo político e da cooperação que vamos assegurar altos padrões de respeito aos direitos trabalhistas e à preservação do meio ambiente", acrescentou Lula, relembrando os compromissos do Brasil com questões ambientais, igualdade de gênero e os direitos dos povos indígenas e trabalhadores.
Além disso, o presidente destacou uma mudança significativa em relação ao passado: o Brasil não se limitará mais a ser apenas um fornecedor de commodities, especialmente produtos agropecuários, para a União Europeia. "Não estamos mais dispostos a assumir apenas o papel de exportador de commodities. Queremos nos dedicar à produção e venda de bens industriais com maior valor agregado", afirmou. Ele também mencionou que o acordo prevê incentivos para investimentos de empresas europeias no Mercosul, abrangendo cadeias de valor estratégicas, especialmente voltadas para a transição energética e digital.
Ursula von der Leyen, chefe do poder executivo da União Europeia, ressaltou que todos os membros dos blocos devem se beneficiar com a geração de novos empregos, além de novas oportunidades para o setor empresarial de ambas as regiões. "Estou convencida de que o melhor está por vir para nossos povos e regiões", disse ela ao iniciar seu discurso.
"É assim que se constrói uma prosperidade verdadeira, que é a prosperidade compartilhada. Concordamos que o comércio internacional não deve ser visto como um jogo de soma zero", argumentou. Ursula também destacou que a assinatura do acordo, prevista para acontecer no sábado (17) no Paraguai, representa apenas o primeiro passo rumo a um futuro promissor.
"O verdadeiro sucesso dessa história se dará quando as empresas começarem a perceber os benefícios do nosso acordo. E isso deve acontecer em breve", acrescentou. Ela ainda afirmou que o acordo multiplicará as oportunidades, estabelecendo regras claras e previsíveis, além de padrões e cadeias de abastecimento que, segundo ela, "servirão como rodovias para o investimento". "Este acordo, agora finalizado, é uma conquista de uma geração inteira", concluiu a líder europeia, agradecendo o empenho de Lula na realização desse importante acordo.
Apesar do entusiasmo, Lula não estará presente na cerimônia de assinatura no Paraguai, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Especialistas apontam que a ausência pode indicar uma certa decepção de Lula por o acordo não ter sido assinado durante a presidência rotativa do Brasil no Mercosul. No entanto, a liderança de Lula foi reconhecida por von der Leyen, que destacou seu compromisso pessoal na concretização do acordo.
A importância de criar uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, enquanto Donald Trump retira os Estados Unidos da economia internacional, não passa despercebida pelos signatários. "Este é o poder da parceria e da abertura. Este é o poder da amizade e da compreensão entre povos e regiões através dos oceanos", afirmou von der Leyen. "E é assim que criamos prosperidade real — prosperidade que é partilhada. Porque concordamos que o comércio internacional não é um jogo de soma zero".
O acordo concede às nações sul-americanas, conhecidas por suas terras férteis e por agricultores qualificados, maior acesso a uma taxa tributária preferencial no vasto mercado europeu de produtos agrícolas. A Apex, agência de investimentos do governo brasileiro, estima que as exportações agrícolas para a UE, como café instantâneo, aves e sumo de laranja, renderão 7 bilhões de dólares nos próximos anos.
Mas Lula alertou que o Mercosul não se limitará ao "papel eterno" de exportador de commodities. "Queremos produzir e vender produtos industriais com maior valor agregado", prometeu.
