Europa Retoma Foco na Ucrânia Após Crise na Gronelândia

A Ucrânia está de novo no topo da agenda europeia, depois de as últimas ameaças tarifárias de Donald Trump terem perturbado brevemente os esforços colectivos para a paz.

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Após uma semana intensa de debates sobre o futuro da Gronelândia, a atenção da Europa se volta novamente para a crise que pode moldar sua arquitetura de segurança nas próximas gerações: a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Os europeus estão otimistas com o recente acordo preliminar que levou Donald Trump a desistir de sua tentativa de controlar a Gronelândia através de tarifas punitivas, permitindo que os dois lados do Atlântico retomem esforços conjuntos para acabar com a invasão em larga escala. Essa disputa sobre o rico território dinamarquês, repleto de minerais, chegou a ameaçar essa colaboração. À medida que a invasão russa se aproxima de seu quarto ano, líderes europeus reafirmam seu apoio à Casa Branca na busca por um acordo de paz entre Kiev e Moscovo. No último sábado, representantes dos EUA, Ucrânia e Rússia finalizaram dois dias de conversações trilaterais em Abu Dhabi, que o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy descreveu como "construtivas". "Se houver disposição para avançar — e a Ucrânia está pronta — novas reuniões serão agendadas", afirmou Zelenskyy, demonstrando um sinal de otimismo. Yuri Ushakov, conselheiro diplomático do Kremlin, destacou que as conversas "reafirmaram que não se pode esperar um acordo duradouro sem abordar a questão territorial". À medida que o processo avança, as capitais europeias começam a considerar a reabertura de canais de comunicação diretos com o presidente russo, Vladimir Putin, que praticamente se fecharam desde 2022. Emmanuel Macron, da França, e Giorgia Meloni, da Itália, expressaram apoio a essa nova estratégia no início deste mês. A Comissão Europeia, que sempre defendeu o isolamento diplomático, também se manifestou, afirmando que o diálogo poderia ser possível "em algum momento". Agora, os líderes europeus discutem a possibilidade de nomear um enviado especial para se comunicar com o Kremlin e apresentar uma posição unificada da Europa, embora ainda não haja nomes concretos em pauta. Simultaneamente, os europeus colaboram estreitamente com seus colegas americanos em dois aspectos fundamentais que se entrelaçam com o que agora é um acordo de paz de 20 pontos. O primeiro é um conjunto detalhado de garantias de segurança a serem implementadas logo após o término da guerra. Entre elas, um mecanismo de alta tecnologia liderado pelos EUA para monitorar um cessar-fogo ao longo da linha de contato, uma força multinacional liderada pela França e pelo Reino Unido para proteger posições estratégicas na Ucrânia, além de um compromisso juridicamente vinculativo de assistência à Ucrânia em caso de um novo ataque russo. Essas garantias foram substancialmente elaboradas, mas ainda dependem da aceitação, por parte de Moscovo, dos termos de um acordo de paz — uma questão que gera incertezas. Para muitos na Europa, a onda de mísseis russos que tem atingido os ucranianos é um lembrete constante da fragilidade da situação.

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