Intervenção do TJMA em Turilândia: Prefeito e Vice Presos
Prefeito e vice-prefeita estão presos por suspeita de desvio de recursos públicos. Governador terá de nomear o interventor no prazo de 15 dias.

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) anunciou, na última sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, a intervenção no município de Turilândia, localizado a aproximadamente 157 quilômetros de São Luís, a capital do estado. Esta intervenção terá um prazo inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada conforme deliberações futuras.
O prefeito de Turilândia, José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curió, e sua esposa, Eva Maria Cutrim Dantas, a vice-prefeita Tânya Karla, além da ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima, foram denunciados em um esquema que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos municipais.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, terá até 15 dias para nomear um interventor, através de um decreto que definirá o período de intervenção e os atos administrativos sob sua responsabilidade.
Conforme a decisão judicial, a intervenção se restringirá ao Poder Executivo municipal, mantendo as funções legislativas com a Câmara Municipal. O interventor designado deverá apresentar um relatório detalhado em até 90 dias, incluindo um diagnóstico da gestão e as medidas adotadas. Além disso, o tribunal determinou a realização de uma auditoria nas contas do município.
Os envolvidos foram detidos na Operação Tântalo II, realizada em 22 de dezembro do ano passado. Tanto Paulo Curió quanto Tânya Karla foram afastados de seus cargos e tiveram a prisão preventiva decretada.
Desde 26 de dezembro, a presidência da Câmara Municipal está sob José Luís Araújo Diniz, conhecido como Pelego, que, junto a outros cinco vereadores, está sob investigação e cumpre prisão domiciliar. A decisão judicial permite que Araújo e mais dez vereadores, também em prisão domiciliar, participem apenas de sessões da Câmara Municipal previamente agendadas.
O esquema que causou prejuízos significativos aos cofres de Turilândia, um município com cerca de 31 mil habitantes na Baixada Maranhense, começou em 2021. Ele envolvia a “venda” de notas fiscais emitidas por empresas que venciavam licitações fraudulentas, incluindo postos de combustíveis.
Estima-se que o dano total chegue a R$ 56.328.937,59, com o prefeito e pessoas próximas recebendo entre 82% e 90% dos valores pagos pela prefeitura, enquanto a diferença era destinada aos empresários responsáveis pelas notas fiscais fraudulentas.
As investigações abrangeram diversas empresas, como Posto Turi, SP Freitas Júnior LTDA, Luminer e Serviços LTDA, MR Costa LTDA, AB Ferreira LTDA, Climatech Refrigeração e Serviços LTDA, JEC Empreendimentos, Potencial Empreendimentos e Cia LTDA, WJ Barros Consultoria Contábil e Agromais Pecuária e Piscicultura LTDA, entre outros indivíduos e entidades, incluindo servidores públicos.
Além disso, o Ministério Público apontou a ocorrência de compras superfaturadas de combustível para a frota de dez veículos da prefeitura, que incluía um caminhão, três micro-ônibus, uma motocicleta, um veículo comum para uso de ambulância e dois veículos comuns.
