Operação Barco de Papel: Executivos do Rioprevidência Sob Investigação
Crimes investigados envolvem gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro e fraude à fiscalização ou ao investidor e corrupção passiva.

Na manhã de 23 de janeiro de 2026, o cenário no Rio de Janeiro foi agitado pela Operação Barco de Papel, liderada pela Polícia Federal. O foco da operação inclui o presidente e diretores do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, conhecido como Rioprevidência. Eles são suspeitos de transações financeiras irregulares que somam quase R$ 1 bilhão com o Banco Master, instituição financeira de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro, que enfrenta sérios problemas e já teve sua liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central.
Durante a operação, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal. Um dos mandados foi para a residência do presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, onde foram encontrados um veículo de luxo blindado, R$ 7 mil em espécie, um pen drive, um relógio e uma variedade de documentos. Curiosamente, Deivis não estava em casa; segundo informações da instituição, ele está de férias programadas desde 2025.
Os agentes também visitaram as casas do ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência, Eucherio Lerner Rodrigues, e do ex-diretor interino de Investimentos, Pedro Pinheiro Guerra Leal. Na residência de Eucherio, a PF apreendeu R$ 3,5 mil, um veículo de luxo, celular, notebooks, pen drives, HDs e uma série de documentos.
As investigações indicam que o fundo de previdência dos servidores públicos do estado aplicou cerca de R$ 970 milhões no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024. A PF alertou que essas operações colocaram em risco o patrimônio de aproximadamente 235 mil servidores do Rio e seus dependentes, sugerindo que isso poderia resultar em um calote.
A Polícia Federal destacou que as operações irregulares realizadas pelo Rioprevidência "expuseram o patrimônio da autarquia a um risco elevado e incompatível com sua finalidade". Os crimes em investigação incluem gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro, além de fraude à fiscalização ou ao investidor, sem contar a associação criminosa e a corrupção passiva.
Por outro lado, o Rioprevidência defende sua atuação, afirmando que sempre agiu dentro da legalidade e que os valores envolvidos estão protegidos por decisões judiciais. A instituição também garantiu que os pagamentos a aposentados e pensionistas seguem normalmente. "O investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao Master", Rioprevidência Responde a Acusações sobre Banco Master explicou a autarquia em nota.
Vale lembrar que o Banco Master, que está sob suspeita de fraudes, lavagem de dinheiro e outras irregularidades, está em processo de liquidação extrajudicial, Liquidações do Banco Master e Reag: Entenda o Caso conforme a determinação do Banco Central.
